sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Na produção do livro Muralha: Parte I - ok

Muralha por Minêu


Hoje, 24 de outubro, concluí, de fato, a Parte I de Muralha (o meu primeiro romance), intitulada Mudinho, com 14 capítulos e um total de 56 páginas de Word escritas. Nessa etapa, entre 2013 e 2014, investi 89 horas e 25 minutos de trabalho em 33 dias (média de quase três horas por dia), quase todos em Salvador – exceto dois dias em Porto Alegre e um dia em Florianópolis, na honra de escrever na casa do amigo e referência Tabajara Ruas.

A Parte I de Muralha (a história do goleiro que nunca tomou gol), conta a trajetória do tirador de coco e pescador Mudinho, no RG José Santos, de Caraíva a Porto Seguro, onde foi jogar pela seleção da cidade na fase final do campeonato amador. Suas defesas na final (e semifinal) garantiram o título inédito para o time porto-segurense. Acaba sendo contratado para jogar em um grande time de Salvador.

Nessa parte, revelo a origem de Muralha, filho de pai desconhecido, mãe morta meses após o parto (foi criado no orfanato, mas essa fase só mais à frente), sem ninguém no mundo que soubesse de seus parentes, e todas as suas estranhas idiossincrasias. Apresento o antagonista Marceleza, o índio goleador e marginal, e o coadjuvante Sanfilippo, dirigente da seleção amadora, que será o futuro empresário do surreal goleiro.

A ideia do personagem principal, orbitava em minha cabeça há tempos, mas somente em 2012 foi esquematizada num rascunho. Conversei com alguns amigos sobre o enredo ao longo dos meses, fiz uma pesquisa/sondagem com amigos jornalistas esportivos, como Ivan Marques e Darino Sena, e fiquei trabalhando mentalmente apenas. Só fui começar a escrever mesmo em junho de 2013, quando elaborei todo o esqueleto da história e levei a produção até o final de julho do mesmo ano, concluindo a primeira versão da Parte I.


O rosto e a cor da pele do personagem Muralha são iguais às 
do ator Djimon Hounsou quando jovem. Foto: Internet


Veio então a Flica 2013, a preguiça do final de ano, a produção e o lançamento do livro de poemas Nostalgia da lama em 2014, as regravações da minha banda The Orange Poem e a produção do novo livro de contos O grito do mar na noite, que deverá ser lançado em dezembro deste ano (será?). Muralha foi protelado.

Mesmo com uma nova Flica em pré-produção, retomei o romance em outubro de 2014, revisando a Parte I, alterando vários trechos, refazendo e corrigindo. Agradeço aos amigos escritores: Carlos Henrique Schroeder, pelo toque em refazer o capítulo I, que realmente estava muito fraco para uma abertura; Aurélio Schommer, pela dica de evitar o excesso de informação sobre a família do coadjuvante da trama; Mayrant Gallo, para evitar vínculos com clubes de futebol (irá servir para a próxima parte).

Deletei o esqueleto do enredo montado em 2012, sem dó. Desvinculei Muralha das Olimpíadas de 2012 e da Copa do Mundo de 2014 e ainda não defini o rumo que tomarei – após a Flica farei.

Aláfia! O trabalho, prazeroso e doloroso, segue.

Caricatura: Muralha na seleção de Porto Seguro, por Minêu

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ildegardo Rosa, o andarilho da ilusão

Ildegardo Rosa (1931-2011)

Salve Mestre Dedé, meu pai, muita luz pra ti neste 22 de outubro, teu dia! Para celebrar, um pedaço da obra do andarilho da ilusão, poeta e filósofo, com o registro de sua voz singular, de profeta do sertão, introduzido pelo também mestre Mateus Aleluia




Ildegardo Rosa (1931-2011) disse:


"Para que direção corre o curso da vida? Para cima, para baixo, para um lado, para o outro, para frente ou para trás? Ou corre para lugar nenhum? Então, observe apenas, não interrompa e nem interfira. Deixe-o simplesmente correr, não importa para onde. O que importa é estar nele, é ser ele mesmo, pois esse é o nosso destino, a nossa eterna condição. Não te arremesses no amanhã, no que desejas vir a ser, nem te agarres no passado, no que já foi e não voltará; são meras fugas e ilusões. O que tu tens de concreto e não importa o que te aconteças é este instante; não tentes escapar dele, viva-o com plenitude e coragem. Esgote-o! Ele é a tua única realidade, mesmo que nada seja real"


"Por que se agarrar à vida? Agarrar-se à vida é perdê-la. A vida é um processo. É um fluxo eterno. É um estar indo, não importa para onde, mesmo se for para lugar nenhum. Vá com a vida. Deixa de olhar para o teu umbigo como se fosse o centro do mundo. O teu destino pessoal não tens a mínima importância, pois tu és apenas um fenômeno passageiro e ilusório, uma emanação do que és, sempre foste, e sempre serás: a eterna existência. Desperta, homem! Aí então saberás que esta eternidade és tu mesmo e tudo mais que existe. Não penses que o mundo gira em torno de ti! Quão pequenina e fugaz é a tua megalomania dentro da Natureza. Enquanto estiveres cheio das tuas coisas, tesouros, paixões, posses, desejos, sofrimentos, deuses e ilusões, enfim, do teu próprio ego que carregas em vão, tu estarás no NADA, no sem sentido, na ilusão"


"Corri como um louco em busca da felicidade e trouxe apenas as mãos vazias pendentes de ilusões. Caminhei então, devagar, em busca do meu próprio destino e hoje trago as mãos cheias carregadas de vida. Me aconteci, me manifestei, me existi. Sou um ser que está fora. Para fora estão os meus olhos que percebem as ilusões do mundo. De fora entra o ar que respiro e mantém o meu alento. Lá fora é que estão o céu e o inferno, os santos e os demônios, os que me envolvem de amor e os que me sufocam de tanto ódio. Como então posso retornar para dentro? Desde o princípio que nunca principiou, pois sempre foi, é e será, eu sou. Não há caminho a se percorrer, algum Deus a se buscar ou iluminação a se alcançar. Tudo já está pronto como sempre esteve. Apenas abra os olhos porque então o desmistério acontece, se revela o que era irrevelado, face à minha ignorância, minhas perdições, meus pecados, minhas ilusões! Desde o princípio eu sou"


"Porque não existe nem o dentro, nem o fora, apenas o ser aqui e agora. De que estão se busca sentido? Eu venho de lugar nenhum e vou para nenhum lugar"


"Agora deixarei o mistério acontecer por si mesmo e se auto desvelar a cada instante por toda a eternidade. Agora relaxarei profundamente e cessarei essa tentativa ansiosa, desesperada e sofrida de querer desvelar o mistério e tudo ser em vão. Agora viverei a vida que está presente e que a cada instante acontece e desacontece, não importando seu destino e sua razão de ser"


"Não olhes para o alto em busca de soluções porque o alto é apenas uma distância vazia e inexpressiva. Não olhes para a esquerda ou para a direita porque são apenas posições relativas. Não olhes para trás, pois apenas entortarás a cabeça em busca de um passado que não retorna jamais. Não olhes para frente, pois seguirás em vão tua estrada sem rumo e sem destino que te conduzirás à morte. Olhe então para dentro de ti, pois ai estará a solução. De que? Só tu saberás!"


"Eu sei (ou quase sei) que estou lá ou aqui – pouco importa. O mundo é uma ilusão"

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Texto formado por trechos de 14 poemas de Ildegardo Rosa, produzidos em 1957, 1958, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997 e 1998, editados por mim. Os poemas foram: "O Curso da Vida" (02/04/1994) / "O Escapista" (03/12/1998) / "A Vida" (28/06/1994) / "O Egoísta" (08/10/1995) / "Do Existencial" (28/08/1957) / "O Tudo e o Nada" (14/09/1996) / "Solução" (13/12/1958) / "O Retorno ao Reino de Deus" (02/12/1998) / "Desde o Princípio Eu Sou" (18/09/1996) / "O Enigma" (02/02/1993) / "O Sentido" (28/10/1997) / "Onipresente" (14/08/1993) / "A Não Solução" (14/10/1997) / "Eu Sei... e Não Sei" (05/09/1993)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Pílulas: Dicionário Amoroso de Salvador, de João Filho

João Filho (foto: Divulgação - interferida por Mirdad)


Segundo a editora Casarão do Verbo, a sua coleção de dicionários amorosos é "o território literário no qual os escritores ocupam, em todas as direções, o tecido urbano de algumas metrópoles brasileiras. É uma outra forma de olhar as capitais no que elas têm de aparente, secreto e inexplorado". Segundo a escritora Állex Leilla, "são chamados de Dicionários porque os temas entram em formato de verbetes, porém, se trata, na verdade, de crônicas amorosas, apimentadas, sensuais, satíricas, ácidas e poéticas acerca dessas 12 cidades. Os olhares são pessoais, e as imagens que saltam nas páginas são frutos da relação complexa que cada indivíduo - neste caso, escritores, poetas, artistas - têm com a cidade onde nasceram e/ou escolheram para viver".

O Dicionário Amoroso de Salvador é uma excelente obra do poeta e pensador baiano João Baiano, com ilustrações de Caius Marcellus.




Parte I
Leia aqui

"Baiano não morre de depressão, mata de pirraça"






Parte II
Leia aqui

"Salvador não é para principiantes. Braços abertos podem afagar ou sufocar"





João Filho
(Casarão do Verbo/2014)
249 pg
Preço: R$ 34,00