quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pílulas: Trilogia do tempo, de Ricardo Thadeu

Ricardo Thadeu (foto: Divulgação - interferida por Mirdad)


"sou inquilino inadimplente
do meu próprio eu"


"só não se sente a falta
de quem vai para o além
quando quem sente a falta,
também"


"o silêncio do tao
ilumina as auras
tal (e qual) o som
de uma só mão
batendo palmas"


"O poema, senhores,
nem fode
nem sai de cima"


"sou o homem que não é
nem rápido nem rasteiro
...
sou o homem de pedra
entre o não e o sim
...
sou o extermínio imóvel
entre o gozo e a dor"


"Cinema mudo

ao som
do silêncio
sorrir"


"Alienígena

resolvi jogar fora os móveis
começando pela minha avó"


Ricardo Thadeu
(Kalango - 2014)


"Morte aos oitenta

o vento soprava
as velas de aniversário
no bolo da velha"


"Eu sou o sonho de outro eu
e esse eu é o sonho de outro"


"Viver de silêncios:
desvendar a caatinga destruída,
desbravar o curral vazio,
decifrar os esqueletos
na varanda"


"Mão boba

em meu caderno
desenho um coração
com seios e bunda"


"Traje a rigor

o sol, sempre nu
brilha"


"Tanto silêncio
e um homem a contemplar
os corpos.
...
Tanto sigilo
e um rato a nos decifrar
no escuro"


"Saída

ainda estamos
sozinhos"

sábado, 13 de dezembro de 2014

O Sonhador, de Ildegardo Rosa

Ildegardo Rosa em seu casamento em 1962


Treze de dezembro, três anos da partida do poeta sergipano meu pai. Em sua memória, relembro o soneto feito 60 anos atrás:


O Sonhador
Ildegardo Rosa

Habita minh’alma a Catedral dos Sonhos
Para fugir à dor que me devora
São sonhos futuros e utópicos d’antanho
Que me seguirão sempre pela vida a fora!

Sei que o mundo zombará do sonhador
E nas minhas faces pedradas sentirei
Eu, porém, juntando-as à minha dor
Uma eterna morada, no tempo edificarei!

E quando alguém passar nessa morada
- onde talvez o limo já a tenha esverdeado
e o bolor das heras a transformado

Verá esta inscrição tosca, quase apagada:
- aqui jaz quem ao mundo desprezou
que passou pela vida e não viveu; sonhou!...

(Aracaju, 1954)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Pílulas: O demônio do meio-dia, de Andrew Solomon

Andrew Solomon (foto: Internet - interferida por Mirdad)


Fragmentos do release extraído do site da editora Objetiva:

"
Ir ao fundo do poço é uma expressão leve para descrever a experiência de vida do autor Andrew Solomon. Ele desceu mesmo foi às profundezas do inferno para vencer uma das síndromes que mais aflige a humanidade nos dias de hoje: a depressão. Fruto de sua dolorosa, dramática e vitoriosa trajetória durante doença, O demônio do meio-dia é um livro intensamente envolvente, sagaz, construtivo e humano.

O demônio do meio-dia, no entanto, não se restringe a um simples relato do autor sobre sua relação com a doença. Muito pelo contrário. Inspirado pelo que sentiu na própria pele, Andrew faz uma investigação ampla e minuciosa, o mais abrangente estudo sobre a depressão publicado nos últimos tempos.

Englobando as questões mais amplas que cercam tal assunto, Solomon revela as implicações históricas, sociais, biológicas, químicas e médicas dessa terrível doença. Conduz-nos por pavilhões de hospitais psiquiátricos onde alguns de seus pesquisados estão aprisionados há décadas; por laboratórios onde pesquisadores de ponta estão elaborando novos modos de visualizar o cérebro; e nos leva até os pobres do campo e da cidade, também afligidos pelo fardo do mal. O autor analisa, ainda, as medicações e os coquetéis farmacêuticos de hoje, e investiga medidas extremas, inclusive eletrochoque e cirurgia cerebral.
"


Parte I
Leia aqui
"A vida é repleta de tristezas: pouco importa o que fazemos, no final todos vamos morrer; cada um de nós está preso à solidão de um corpo autônomo"




Parte II
Leia aqui
"Quando você está se sentindo tão mal que o amor parece quase não fazer sentido, a vaidade e o senso de responsabilidade podem salvar sua vida"







Andrew Solomon
(Objetiva/2002)
504 páginas
Preço: R$ 67,90